Sustentabilidade norteia cada vez mais empresas e consumidores, diz Claudemir Ramos

Sustentabilidade norteia cada vez mais empresas e consumidores, diz Claudemir Ramos

"Se uma empresa hoje não se atentar para o 'esverdeamento da economia', corre o risco de ser aniquilada pelo mercado."

“Se uma empresa hoje não se atentar para o ‘esverdeamento da economia’, corre o risco de ser aniquilada pelo mercado.” Com essa frase, que pode parecer a alguns um tanto impactante, Claudemir Ramos Silva, professor da Faculdade 28 de Agosto, resume a urgência do tema sustentabilidade na economia global.

Por Faculdade 28 de Agosto

Para o professor Claudemir Ramos Silva, mestre em Economia, com especialização em Economia do Trabalho, bacharel em Ciências Econômicas e professor da Faculdade 28 de Agosto, as discussões sobre sustentabilidade e economia estão presentes cada vez mais no universo corporativo.

Em seu mais recente livro publicado, “Sustentabilidade e Empregos Verdes no Brasil”, Claudemir deixa claro que não basta às empresas, nesse momento de cautela e preservação da natureza e dos recursos, ocuparem-se de conquistar certificações e atender normas técnicas. É preciso manter um olhar global sobre o impacto da sua produção no planeta e sobre as pessoas com responsabilidade social e ambiental.

Empresas e empregados precisam estar em sintonia com a preservação do meio ambiente e também com a sustentabilidade emocional. Os chamados empregos verdes – em empresas que aplicam técnicas sustentáveis de produção e garantem a proteção social do trabalhador – devem ser uma das principais saídas para garantir trabalhadores saudáveis e negócios lucrativos.

Leia a entrevista na íntegra:

Faculdade 28 de Agosto – Em suas pesquisas acadêmicas há uma grande busca em relacionar economia, trabalho e sustentabilidade. Qual é o estado dessas discussões no ambiente universitário e fora dele?

Claudemir – Muito embora a história registre vários acontecimentos pós-guerra, discutindo a necessidade de se buscar novas formas de “crescimento econômico”, por vezes confundido como desenvolvimento econômico, podemos sem culpa tomar a Cúpula da Terra, mais conhecida como Eco 92 ou Rio 92, como marco formal para a promoção do Desenvolvimento Econômico Sustentável. Naquele momento foi lançado o relatório “Nosso Futuro Comum”, documento que oficializou a necessidade de promover um novo modelo de desenvolvimento econômico pautado pela menor degradação ambiental possível e com olhar social, estabelecendo premissas para o “esverdeamento” da economia” e concatenando o tripé econômico, social e ambiental. Atualmente vigora o documento “Agenda 2030” (Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável), lançado em 2015 pela ONU.

28 de Agosto – Como o conceito de sustentabilidade se relaciona com o mundo do trabalho e com o bem-estar do trabalhador?

Claudemir – A resposta está na promoção dos Empregos Verdes, conceito proposto pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), entendido como empregos que reduzem o impacto ambiental das empresas e dos setores econômicos a índices social e ambientalmente sustentáveis. O Emprego verde em sua essência congrega o “trabalho decente”, que, grosso modo, se traduz naquele amparado na proteção social do trabalho.

28 de Agosto – No seu livro “Sustentabilidade e Empregos Verdes no Brasil”, são discutidos os conceitos de desenvolvimento e desenvolvimento sustentável na economia. Quais seriam as atitudes empresariais que mais impactam o meio ambiente e a saúde do trabalhador?

Claudemir – Vivemos uma nova ordem econômica global, num mundo em que quase a totalidade dos países estão conectados como fornecedores e clientes uns dos outros. Desta forma, às empresas não basta atender a legislação e as demais normatizações nacionais, é preciso se estabelecer olhando para o mercado mundial. Mesmo uma pequena empresa, ao se prestar fornecer a uma empresa exportadora, terá de buscar seus “certificados” atestadores de sua responsabilidade social e ambiental.

Essa nova ordem acaba promovendo alterações estruturais nas duas pontas: a da produção, empresas repensando suas estruturas produtivas, incorporando tecnologias limpas e olhando os anseios da sociedade, e a dos consumidores, que de forma geral estão se tornando mais exigentes. Basta ver o crescente número de pessoas interessadas em melhores condições de vida, incluindo melhor alimentação, exercícios físicos e enriquecimento cultural. Bom saber que estamos todos mais exigentes, o que obriga as empresas a serem melhores também.

28 de Agosto – Por parte das empresas, existe a possibilidade de uma economia verde efetiva, positiva e mais humana no Brasil?

Claudemir – Pegando o gancho da pergunta anterior, se uma empresa hoje não se atentar para o “esverdeamento da economia”, corre o risco de ser aniquilada pelo mercado. Basta ver alguns exemplos recentes, como as produtoras de petróleo, mineradoras e de alimentos, que, por conta das altas multas recebidas por suas irresponsabilidades empresariais, constataram queda no valor de suas ações negociadas na bolsa. É o mercado cobrando seu retorno, e isso os acionistas já assimilaram.

28 de Agosto – Qual é o papel do capital humano, no caso, os trabalhadores, na construção de uma “cultura verde” em seus empregos?

Claudemir – Na estrutura fundamental do capitalismo temos duas pontas: produção e consumo. Os “Empregos Verdes” resultam da intersecção do conjunto de atividades ambientalmente sustentáveis com o conjunto formado por postos de trabalhos impreterivelmente decentes, os quais satisfazem demandas e metas do movimento trabalhista. Para a OIT, o conceito de “empregos verdes” resume a transformação das economias, das empresas, dos ambientes de trabalho e dos mercados laborais em direção a uma economia sustentável que proporcione trabalho decente com baixo consumo de carbono.

28 de Agosto – O que os alunos de Administração da Faculdade 28 de Agosto podem esperar ao participar das suas aulas e pesquisas sobre microeconomia e sustentabilidade?

Claudemir – Bem, é um enorme prazer responder esta questão.  Apesar de estarmos apenas na primeira turma de Administração da Faculdade 28 de Agosto em curso, foi a ousada proposta de criação de um grupo de pesquisas em Negócios, Economia e Gestão, prontamente aprovada pela instituição, – e, ressalto, com o apoio necessário – que possibilitou em 3 meses a colheita dos primeiros frutos acadêmicos na área em que atuo aqui. Acabamos de apresentar nosso primeiro artigo acadêmico no XV Ciclo de Debates da PUC-SP, e agora estamos reestruturando o material para a publicação numa revista científica qualificada.

Dito isto, faço meu convite aos demais alunos e colegas professores, vamos todos “escrever“ o mundo que almejamos, mais socialmente justo e ambientalmente saudável, propondo as reformulações no mundo corporativo que resultem numa nova ordem responsável de produção.

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